sábado, 18 de fevereiro de 2012

A imprensa toma partido

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CRISE NA SEGURANÇA PÚBLICA

A imprensa toma partido

Por Marcio Bastos em 14/02/2012 na edição 681
Greves policiais, descaso do governo, imprensa comprada e chefe bem pago – eis os quatro principais ingredientes para transformar em caos público qualquer estado do Brasil. Todos sabem o quanto é importante manter um policial bem preparado para realizar segurança pública com qualidade. Exige-se treinamento e perfeição, mas todos esquecem que seu baixo salário lhe traz o câncer da desmotivação; em alguns casos, tira-lhe a dignidade maior de um ser humano: prover sua família de condições de vida razoável. No Brasil, policiais e bombeiros trabalham exaustivamente, mostram resultados e passam pelo atual crivo das corregedorias – que expulsam os maus profissionais e nunca – nunca – os bons profissionais são valorizados.



Os policiais, então, iniciam uma negociação por melhores condições de trabalho. Primeiro em nível nacional, com a chamada PEC 300 (Proposta de Emenda Constitucional), que prevê isonomia salarial para policiais militares, bombeiros militares e policiais civis de todo o país. Após intensas promessas, discussões e votações em volta da PEC 300, que começou há quatro anos com tramitação especial, os governos Lula e Dilma, com a ajuda da maioria dos políticos do Congresso Nacional, engavetaram o projeto e enrolaram os profissionais de segurança.
Em conjunto aos fatos resumidamente narrados, começam os movimentos reivindicatórios estaduais. Os governos começam uma política de valorização das altas patentes. Oficiais do alto escalão e delegados de polícia têm seus salários aumentados para utilizar de seu poder de persuasão e segurar a tropa. Um dos maiores exemplo é o Rio de Janeiro, onde um delegado chega ao topo salarial do estado, em torno de R$18.000, e os policiais civis recebem o mais baixo salário pago a um profissional de terceiro grau do estado, em torno de R$2.300. Os “chefes” não seguram a tropa e a indignação aumenta, pois os policiais e bombeiros que trabalham pelos “chefes” se sentem desprestigiados. Em 2009, começam os principais movimentos policiais por melhorias.
Uma única voz no silêncio jornalístico
O menosprezo aos profissionais de segurança pública continua ao longo dos anos de 2010 e 2011. Alguns poucos estados dão o exemplo: Piauí, Ceará, Paraíba e Sergipe, onde o policial civil inicia com um salário justo de R$4.900, conseguem resolver internamente seus problemas com a segurança. Porém, a grande maioria dos estados brasileiros enrola, finge que negocia, utiliza-se do poder público para eliminar qualquer foco de revolta e conta com o apoio da imprensa para não publicar qualquer esboço de reivindicação salarial.
O maior exemplo foi a revolta dos bombeiros do Rio de Janeiro, no ano passado, a qual fez uma “maré vermelha” tomar conta do Brasil e do mundo. Mas não sensibilizou o governo do estado, que preferiu minar o movimento em vez de negociar, contando mais uma vez com a imprensa local. A indignação dos policiais e bombeiros aumenta ainda mais.
Atualmente, o poder dos governos sobre a imprensa chegou ao ápice: o repórter Valdeck Filho, do programa Na Mira, da TV Aratu, filiada ao SBT, recebeu um anúncio de demissão das mãos de um diretor da emissora na Bahia por ter feito a cobertura da greve dos policiais militares. Já no Rio de Janeiro, uma grande marcha conjunta da segurança pública teve matérias publicadas nos principais jornais internacionais, como o New York Times e o Financial Times, e a imprensa local não publicou quase nada. Nesse ponto, uma ressalva se faz por justiça. No Brasil, apenas a TV Record (Rio), pro meio do apresentador Wagner Montes, teve a audácia de realizar matéria sobre a marcha histórica e traçar comentários diários sobre o movimento em seu programa televisivo. Uma única voz no silêncio jornalístico. A indignação dos profissionais de segurança volta a aumentar.
O caos é eminente
Hoje, vemos o apogeu dessa história. Soma-se e acumula-se a falta de diálogo dos governos e a forte indignação dos policiais e bombeiros. Em vez de chamar à responsabilidade e resolver o problema, o poder público prefere jogar a sociedade contra os movimentos, com a ajuda da imprensa. O caos que aconteceu na Bahia é exemplo do descaso. Não resolvem o problema e preferem culpar alguns policiais pela onda de violência. O governo contou com a falta de razão do movimento, mas esquece que apostar nisso aumenta o problema e marca com ferro e fogo a trajetória política do próprio governo. Isentar-se de culpa, mesmo diante do caos, não será possível, pois o passado faz atormentar o presente com sua lembrança de descaso e menosprezo aos policiais e bombeiros.
O Rio de Janeiro promete ser o maior exemplo de todos e espera-se um movimento nacional após a decretação da greve carioca. Os mesmos ingredientes estão na mesa. Policiais civis, militares e bombeiros estão unidos e indignados como nunca se viu na história. A imprensa não divulga nada sobre o movimento. O governo anuncia um aumento negociado em 2010, diz que negocia apenas em 2014 e o secretário da Segurança diz que não acredita no sucesso do movimento. Mais uma vez o descaso e menosprezo. Os “chefes”, com seus altos salários, são pressionados pelo governo e fazem pressão para segurar a tropa. Com isso, o movimento ganha força e o caos é eminente.
A história se faz: a luta dos profissionais de segurança pública do Brasil por condições dignas de trabalho está na mão do poder público. Que a mão divina seja a autora dos próximos capítulos dessa história.
***
[Marcio Bastos é policial civil do Rio de Janeiro e diretor jurídico adjunto do Sindpol RJ – Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro]

8 comentários:

  1. SGT BM do 11º GBM (Vila Isabel). Querido faço minhas as suas palavras. Aproveitando o ensejo, o Cabo Daciolo mais uma vez foi preso sob o pretexto de MANUTENÇÃO DA ORDEM PÚBLICA. Este pretexto é mais uma prova da hipocrisia de nossa sociedade. Há décadas nossos Governos têm destruído a saúde pública, a educação pública e a segurança pública, pagando um salário indigno a tais servidores públicos, tirando-lhes a dignidade e o estímulo. Pergunto: destruir a saúde, a educação e a segurança públicas não é destruir a ordem pública? Francamente, certos políticos falarem de manutenção da ordem pública em pleno PAÍS DA CORRUPÇÃO, é um tremendo FARISAÍSMO. Não é à-toa que dizem lá fora “o Brasil não é um país sério”, como disse Charles de Gaulle, ex-presidente da França.

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  2. Concordo com tudo dito acima e acho um grande absurdo à questão da publicação de noticias ou reportagens que “eles querem”
    O código de ética esta ai para ser cumprido dentro do Jornalismo e eu a um passo de me formar Jornalista tenho que me deparar com pessoas, muitas delas revoltadas com certas atitudes da imprensa não tomadas quando se mais precisa.
    O dever de um jornalista é assim informar de forma clara, objetiva e imparcial.
    “O poder dos governos sobre a imprensa chegou ao ápice: o repórter Valdeck Filho, do programa Na Mira, da TV Aratu, filiada ao SBT, recebeu um anúncio de demissão das mãos de um diretor da emissora na Bahia por ter feito a cobertura da greve dos policiais militares. Já no Rio de Janeiro, uma grande marcha conjunta da segurança pública teve matérias publicadas nos principais jornais internacionais, como o New York Times e o Financial Times, e a imprensa local não publicou quase nada.”
    Realmente virou uma grande bagunça, pois os CANALIAS (me refiro à política mesmo que e uma zona) recebem todo tipo de proteção ou beneficio para continuar agindo com corrupção sem se importar com a sociedade e nossos heróis estão ai ainda presos apenas por que querem o melhor. Então quer dizer que quando eu for uma Jornalista formada e acontecer uma situação dessas, onde tenho a obrigação de intervir como beneficio a quem merece eu vou ser presa ou demitida???
    Pois bem, então prefiro ser presa ou trabalhar com quem tem seriedade, pois não estou aqui para ser mais uma a falar besteiras ou omitir informações como faz algumas emissoras, o que me deixa revoltada. Gostaria mesmo que o código de ética jornalístico fosse de valia para todos os veículos de comunicação, mas e aquela questão, cada um faz o que quer de sua vida e vai se tornando essa enorme bagunça que você vê hoje em dia. Realmente lamentável...

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  3. Na ditadura militar, no último governo do Rio,Gov. Chagas Freitas, alguns oficiais Bms e Pms buscando melhores salários adentraram no palácio guanabara e não deixando o governador sair do local, eu estou falando em uma plena ditadura militar, e não vi o que está acontecendo hoje aqui, num Pais ou estado chamado democrático. A final que Pais é este onde um dos melhores presidentes que tivemos foi o maior lider grevista que esse Pais já teve,e as pessoas que o sucederam deixar isso acontecer, a final o que esta acontecendo ? Me perdoe com tudo isso não sou covarde mais tenho medo de me identificar.Como disse o autor que a mão do Senhor possa mudar o curso da historia.

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  4. MELHOR PRESIDENTE??OU O TIDO COMO O MAIS CARISMATICO,LULA NAO ENTENDIA NADA QUEM GOVERNOU FORAM OUTROS NAS COSTAS DELE,POR ISSO QUANDO O MENSALAO BABOU E OUTROS MINISTROS TIVERAM QUE SAIR POR CORRUPÇAO EOLE TRATAVA COMO FILHINHOS DELE E AINDA CONTINUAVAM GANHANDO NOSSO DINHEIRO NO GOVERNO DELE.E GANHAM ATÉ HOJE.
    A DILMA É FORMADA,TEM UM POUCO DE CONHECIMENTO ENTAO EU ACREDITO QUE ELA NAO FICARÁ DANDO TIRO NO ESCURO,COMO LULA FAZIA.AREA DE MAIS DESVIO DE VERBAS FOI NO GOVENO LULA.E AGORA JA TIVEMOS UM MONTE DE MINISTROS QUE CAIRAM,E MUITOS IRAO CAIR,POIS AQUI NAO EXISTE CADEIA PRA POLITICOS,SÓ PRA BOMBEIROS, PM E POBRES. A ONU PRECISA VER ISSO VIR NO BRASIL E LEVANTAR QUANTOS RICOS EXISTEM NA CADEIA DO BRASIL

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  5. No Ceará o governo do estado também aumentou o salário dos CMDT's (dobrou) para tentar segurar a tropa, correu atrás de quem em quartéis lutava e divulgava idéias sobra a tropa se unir transferindo e punindo com perda de gratificações mas, não deu certo. Com o apoio da tropa e seus familiares colocaram o Cap. Wagner Sousa como deputado estudual e ele organizou uma greve que serviu de exemplo para os militares estaduais de todo o Brasil. Teve o apoio de toda a população que reconheceu que o problema era do governo e não dos policiais que estavam ali buscando seus direitos pacifica e ordeiramente.
    O profissional policial e bombeiro no Brasil só vão ser mais valorizados quando se unirem e buscarem mudar esse sistema que estão inclusos onde esse militarismo só serve para reprimi-los e serem peões.

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  6. Concordo plenamente quando vc diz "...esse militarismo só serve para reprimi-los e serem peões." Militarismo é retrocesso social. Sou a favor da DESMILITARIZAÇÃO; mas, infelizmente, muitos companheiros de farda acham que o militarismo é "status". O Daciolo mais uma vez foi preso por ser militar (foi enquadrado no CPM - Art 154 e 155). Os Policiais Civis grevistas não foram presos e os Deputados que apóiaram a greve não foram presos; só os militares foram presos. Por quê? porque só os militares são proibidos de fazer greve (CF de 1988, Art 142, §3º, IV). Militarismo é atraso social! Surgiu na Grécia Antiga em torno de 1000 a.C., e é um sistema ideológico totalmente autoritário e, por isso, obsoleto). O militarismo (CPM e Regulamentos disciplinares) deve ser substituído por um Código de Conduta com base na CF de 1988. Isto, sim, seria um avanço social.

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  7. MEU QUERIDO IRMÃO ,ODACIOLO ESTOU MUITO FELIZ PELA SUA SOLTURA ,ORAMOS SEM SESSAR PELA SUA VIDA E DA SUA FAMILIA ,QUE DEUS TE PROTEGE EM TODOS OS INSTANTES DA SUA VIDA E DA SUA FAMILIA,DEUS O ABENÇÕE,HOJE AMANHÃ E SEMPRE SILVANA!!!!

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  8. CORÉ, DATÃ E ABIRÃO.

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