quinta-feira, 20 de outubro de 2016

FARRA COM DINHEIRO PÚBLICO


RIO - O propósito era fazer uma surpresa à mulher, mas o primeiro a se espantar com o presente de Sérgio Cabral para a então primeira-dama, Adriana Ancelmo, foi o empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta Construções. Cabral o convidou para bater perna pelas lojas de Mônaco, onde ambos estavam, atrás de uma recordação para a Adriana. Ela aniversariava no dia seguinte, 18 de julho de 2009.

Na porta da filial da Van Cleff & Arples, famosa joalheria, na Place du Casino, o governador do Rio pegou o empresário pelo braço e entrou. Nada olhou, pois o presente já estava reservado: um anel de ouro branco e brilhantes. Só ali, quando tudo já estava decidido, Cavendish descobriu que a conta lhe caberia. Valor: 220 mil euros (cerca de R$ 800 mil).

Cavendish, que faria em Mônaco a maior compra de sua vida em cartão de crédito, deixou a loja com a suspeita de que já estava tudo armado e a promessa do amigo de que a dívida seria acertada mais à frente.

Uma foto de Cabral com Adriana, na qual a mulher exibe o anel na mão esquerda, é uma das provas exibidas por Cavendish à força-tarefa da Lava Jato no Rio e em Brasília para provar a compra. 

O empresário, que cumpre prisão domiciliar, está negociando a delação premiada. Ele também entregou a nota fiscal, o certificado de compra e o comprovante de pagamento com cartão de crédito. Depois que a amizade com Cabral foi rompida, contou Cavendish, o anel foi devolvido a ele por um amigo do ex-governador, Paulo Fernando Magalhães Pinto.

A fotografia, segundo O GLOBO apurou, foi feita no estreladíssimo restaurante "Luís XV", do chef Alan Ducasse no Hotel de France, em Mônaco, onde o grupo de amigos liderado por Cabral estava hospedado. 

O presente foi dado por Cabral durante o jantar, na presença de Cavendish, da então namorada do empresário, Jordana Kfouri, do ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes e mulher, e do então assessor de Cabral Luiz Carlos Bezerra e mulher.

Um vídeo, divulgado pelo ex-governador Anthony Garotinho em seu blog, em 2012, também exibe Adriana com o anel no dedo enquanto os convidados cantam um "parabéns" puxado por Cabral. 

O grupo, de acordo com Cavendish, fazia um tour de dez dias pela França, motivado também por um show da banda U2 em Nice. Mas Garotinho confunde esta viagem com outra à França, em setembro daquele mesmo ano, que ficou famosa pela sequência de fotos dos amigos empresários e secretários estadual com guardanapos na cabeça.

Até então, relatou o empresário, o presente mais expressivo que dera a Cabral foi um carro. E mesmo assim, a Ford Ranger 2007, placa KXG 0628, saiu de uma concessionária, em março daquele ano, em nome de Paulo Fernando, por ser amigo de confiança de Cabral, para evitar a associação direta do mimo com o empreiteiro. 

Para provar que o carro é de Cabral, Cavendish tem fotos do governador na Ranger. Quando se separou por um tempo de Adriana Ancelmo, Cabral morou no apartamento de Magalhães Pinto em Ipanema.

FIM DA AMIZADE

O anel foi devolvido em 2012, quando Cabral rompeu com Cavendish após as revelações de que a Delta usava as empresas do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, para lavar dinheiro. Esta descoberta foi um desdobramento da Operação Monte Carlo da PF deflagrada em Goiás para desarticular uma organização que explorava máquinas caça-níqueis, e levou à prisão o diretor da Delta Centro-Oeste, Claudio Abreu.

Cavendish, acuado, foi ao encontro de Paulo Fernando, a quem pediu que levasse um apelo a Cabral, no sentido de evitar que a empresa não fosse declarada inidônea. No meio da conversa, Paulo Fernando lhe entregou o anel. Foi então que Cavendish percebeu que já não havia mais nada a fazer. Para ele, o gesto dizia tudo. A amizade, inciada em 2003, havia chegado ao fim.

Na delação, o empresário está citando outros episódios que ajudam os investigadores a entender como cresceu tanto nos dois governos de Sérgio Cabral - entre 2009 e 2010, foram R$ 538 milhões em contratos com seis órgãos do Estado do Rio. Mas, para o próprio Cavendish, o anel da Van Cleff é a peça mais simbólica do tipo de relação que Cabral estabeleceu com os empreiteiros.

Um ano antes do rompimento da amizade entre Cavendish e Cabral, a queda de um helicóptero no Sul da Bahia expôs a relação íntima entre os dois. Na tragédia morreram a namorada de seu filho Marco Antônio Cabral, Mariana Noleto, a mulher do empreiteiro e sua irmã, Fernanda, e filho de ambas, e ainda a babá Norma Batista de Assunção e o piloto da aeronave, o empresário Marcelo Almeida, presidente do First Class Group e dono do Jacumã Ocean Resort, para onde ia o grupo.

Em outro episódio, em abril de 2012, fotos publicadas no blog do ex-governador Anthony Garotinho mostraram Cabral e os então secretários Wilson Carlos (Governo) e Sérgio Côrtes (Saúde) numa viagem a Paris na companhia de Fernando Cavendish. Numa das imagens, Wilson Carlos e Sérgio Côrtes dançam abraçados com Cavendish. 

O clima de comemoração era tanto que o grupo, bem desinibido, usou guardanapos amarrados na cabeça. Em outra sequência, Cabral é visto sorridente posando para fotos ao lado de Cavendish que, agachado, parece brincar com a situação. Na mesma foto, estava o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Aloysio Neves.

Cavendish, segundo amigos próximos, procura apresentar-se às autoridades como uma pessoa disposta a colaborar. Ele garantiu que continua tendo credibilidade junto a outros diretores e funcionários da Delta, o que poderá encorajá-los a também contribuir. Como não pode sair de casa, usa parte do tempo para recordar episódios que podem fortalecer a sua delação.

Procurado pelo GLOBO, o empresário disse que está impedido de falar com a imprensa em decorrência de sua situação judicial. Paulo Magalhães não foi encontrado.

Em nota à redação o ex-governador Sérgio Cabral disse que "não tem como se posicionar sobre supostas declarações cujo conteúdo desconhece."




6 comentários:

  1. tem q prender esse ladrao e confiscar tudo q ele tem.

    ResponderExcluir
  2. Jogadinha de Cabrão e sua quadrilha, não vejo a hora dele ir para nova república chamada Curitiba presidida pelo juiz Sérgio Moro!

    ResponderExcluir
  3. Cabral, tua "batata" tá assando, começa a arrumar a sua "nau" pra viajar pra Curitiba, o balneário da Papuda te espera! O "nove dedos" vai à pé, vamos ver quem vai chegar primeiro!? Vc com essa cara de "bebê chorão" vai ficar uma gracinha de presidiário!!!

    ResponderExcluir
  4. Se ele estivesse nas mãos do juiz Sérgio Moro ele já estaria em Bangu.
    Meu sonho é ver esse político desonesto preso

    ResponderExcluir
  5. Quem apoia Bandido é Bandido!

    ResponderExcluir
  6. Infelizmente a culpada de eleger esses politicos ladrões aki no rio foi a rádio tupi. Elegeu o carotinho. Cabral e agora cabralzinho.

    ResponderExcluir

Comentários com palavras de baixo calão, agressivas ou que estimulem a violência ou prática criminosas não vão ser publicados.

Citações ou acusações pessoais somente são publicadas com a identificação do autor do comentário.

Se sentiu ofendido? Quer ter o direito de resposta? Faça contato pelo email (enderecumemaium@gmail.com) ou use os comentários para defender seu ponto de vista.

O BLOG é seu. Use-o com sabedoria.