domingo, 26 de fevereiro de 2017

Atraso de 36 dias para quitar janeiro faz Estado 'comer' um mês de salário de servidores


A conta feita por categorias de servidores do estado que sofrem com o parcelamento dos salários e deputados aponta para atrasos prolongados e meses de pendências com os servidores. O cálculo hoje é o seguinte: o Rio vai quitar sua folha de janeiro com 36 dias de atraso, mais de um mês além da data prevista. Quando encerrar a folha de janeiro, a de fevereiro já estará atrasada.

O exemplo dado indica que a folha de fevereiro, será paga em abril; a de março, em maio; a de abril, em junho e, assim, sucessivamente. Ou seja, pelos cálculos feitos por quem observa o andamento dos pagamentos aos servidores do estado, caso nada seja feito, a pendência ao fim do ano será grande.

— A previsão é que o estado vai terminar o ano devendo oito folhas de pagamento, contando com o 13º salário de 2016. Esse é o cálculo feito por membros do governo — disse um membro do alto escalão do Governo do Estado.

Hoje, o estado depende exclusivamente do que arrecada com impostos. Essa é a justificativa dada aos servidores para o parcelamento de parte da folha. Mais de 100 mil servidores receberão com atraso o salário de janeiro.



Bombas-relógio prestes a explodir no Rio de Janeiro


Sempre disse que Sérgio Cabral e Pezão só conseguiram roubar do jeito que fizeram porque tinham a proteção de pessoas poderosas em outros poderes, sem isso não teriam conseguido manter a impunidade que reinou 10 anos. A verdade é que Cabral ofereceu entregar numa bandeja Pezão e Picciani, mas o MPF quer mais. Por isso tem gente no Judiciário fluminense que deve estar desesperada. Mas Pezão e Picciani também estão no cardápio de outras delações que estão em curso. Aliás, na delação da Carioca Engenharia, homologada pelo STJ, Jorge Picciani é um dos principais capítulos. E tem ainda Eduardo Paes. Além, é claro, de outros integrantes da quadrilha de Cabral, a começar por Sérgio Côrtes e Regis Fichtner. Por isso depois do carnaval se preparem para as bombas que vão explodir no Rio de Janeiro. 


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Deputados aprovam venda da CEDAE




Confira como os deputados votaram:

A favor

Ana Paula Rechuan (PMDB)
André Ceciliano (PT)
André Corrêa (DEM)
Aramis Brito (PHS)
Átila Nunes (PMDB)
Benedito Alves (PRB)
Carlos Macedo (PRB)
Chiquinho da Mangueira (PTN)
Conte Bittencourt (PPS)
Coronel Jairo (PMDB)
Daniele Guerreiro (PMDB)
Dica (PTN)
Dionísio Lins (PP)
Doutor Gotardo (PSL)
Edson Albertasse (PMDB)
Fábio Silva (PMDB)
Fatinha (Solidariedade)
Marco Figueiredo (PROS)
Filipe Soares (DEM)
Geraldo Pudim (PMDB)
Gil Vianna (PSB)
Gustavo Tutuca (PMDB)
Iranildo Campos (PSD)
Jânio Mendes (PDT)
João Peixoto (PSDC)
Jorge Picciani (PMDB)
Marcelo Simão (PMDB)
Marcia Jeovani (DEM)
Marcos Abraão (PT do B)
Marcos Muller (PHS)
Marcus Vinicius (PTB)
Milton Rangel (DEM)
Nivaldo Mulin (PR)
Paulo Melo (PMDB)
Pedro Augusto (PMDB)
Rafael Picciani (PMDB)
Renato Cozzolino (PR)
Rosenverg Reis (PMDB)
Tia Ju (PRB)
Zé Luiz Anchite (PP)
Zito (PP)

Contra

Bebeto (PDT)
Bruno Dauaire (PR)
Carlos Lins (sem partido)
Carlos Osório (PSDB)
Cidinha Campos (PDT)
Doutor Julianelli (Rede)
Eliomar Coelho (PSOL)
Enfermeira Rejane (PC do B)
Flávio Bolsonaro (PSC)
Flávio Serefini (PSOL)
Geraldo Moreira da Silva (PTN)
Gilberto Palmares (PT)
Jorge Felippe Neto (DEM)
Lucinha (PSDB)
Luiz Martins (PDT)
Luiz Paulo (PSDB)
Marcelo Freixo (PSOL)
Márcio Pacheco (PSC)
Martha Rocha (PDT)
Paulo Ramos (PSOL)
Samuel Malafaia (DEM)
Silas Bento (PSDB)
Tio Carlos (SDD)
Wagner Montes (PRB)
Waldeck Carneiro (PT)
Wanderson Nogueira (PSOL)
Zaqueu Teixeira (PDT)
Zeidan (PT)

* O deputado Dr. Deotalto (DEM) não compareceu a votação

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

EFEITO CAPIXABA: MILITARES E GOVERNO CHEGAM A ACORDO E EVITAM PARALISAÇÃO GERAL NO RIO GRANDE DO NORTE




Depois de uma reunião na manhã desta terça-feira (14), representantes dos policiais e bombeiros militares que protestam por melhores condições financeiras e de trabalho chegaram a um acordo com o governo do Rio Grande do Norte, que aceitou a maioria das exigências do movimento.

Segundo a Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar, o governo concordou com 702 promoções de policiais relativas a dezembro de 2016; com o pagamento dos militares promovidos em agosto do mesmo ano, previsto para fevereiro; e com o pagamento retroativo dos promovidos em dezembro de 2015 e nos meses de abril e agosto do ano seguinte.

Também foi aprovado o aumento das diárias operacionais para R$ 120 por oito horas de serviço, com pagamento adiantado, além da atualização dos níveis remuneratórios a partir deste ano: a Lei de Organização Básica (LOB) referente a esse aumento deve ser encaminhada à Assembleia Legislativa até 29 de fevereiro.

“A lei vai reestruturar toda Polícia Militar em médio prazo. Teremos a reformulação das unidades administrativas e da quantidade de cargos. É uma mudança que vai motivar os policiais”, opinou o comandante geral da Polícia Militar, coronel André Azevedo, que participou da reunião.

O governador disse que em breve haverá concursos para as polícias militar, civil e para o Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep). Robinson enfatizou que o edital do concurso do Corpo de Bombeiros foi publicado e a abertura do concurso para agentes penitenciários efetivos foi autorizada.

“Com este concurso [dos agentes penitenciários], vamos atender novamente o pedido dos militares e tirar os policiais das guaritas nos presídios. Este concurso vai suprir o déficit de agentes no sistema penitenciário e reforçar a segurança das unidades prisionais do Estado”, disse o governador.

O ato dos policiais militares e bombeiros em frente à Governadoria, em Natal, começou às 9h. As mulheres dos militares também participaram da manifestação. Os líderes do movimento foram convidados para a reunião com o governador Robinson Faria e a cúpula da segurança pública por volta das 10h30.

As reivindicações são:
- Efetivação das promoções de dezembro;
- Pagamento dos promovidos em agosto;
- Pagamento do retroativo dos promovidos em 25/12/15 e 21/04/16;
- Definição de carga horária;
- Encaminhamento imediato das Leis de Organização Básica;
- Atualização dos níveis remuneratórios;
- Fim da prisão administrativa, através de decreto do Governador;
- Retirada dos policiais militares dos presídios;
- Fim da idade limite de ingresso para quem já ingressou na instituição.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

OS HOMENS DE OURO DA QUADRILHA DE CABRAL




Fonte:http://www.blogdogarotinho.com.br/lartigo.aspx?id=23241

PEZÃO MANDA DAR MAIS CONFORTO A CABRAL NA PRISÃO

http://www.blogdogarotinho.com.br/lartigo.aspx?id=23237

É mais uma notícia inacreditável. Pezão diz que não tem dinheiro para nada, nem para pagar os servidores, todas as obras do Estado estão paradas, mas o governador determinou urgência na reforma do antigo BEP (Batalhão Especial Prisional) em Benfica para alojar com mais conforto Sérgio Cabral e sua gangue. Vejam a reportagem do Fantástico, em seguida comento.



O secretário de Administração Penitenciária, coronel Erir Ribeiro dizer que a reforma vai custar só R$ 20 mil, só pode ser piada. E já arrumaram colchões mais confortáveis para Cabral e companhia. Aliás, como podem ver na notícia abaixo, Cabral continua tendo regalias em Bangu 8, os rumores são de que fica no ar condicionado, numa sala ao lado do gabinete do diretor do presídio. 


Mas ainda sobre a reforma do BEP, dizem as más línguas nos corredores do Palácio Guanabara que Pezão mandou reformar o BEP porque quer ter mais conforto quando chegar a sua hora de se juntar a Cabral. 

O Ministério Público Federal já anunciou que vai recorrer para que Cabral não saia de Bangu 8. 


MILITARES VÃO ATUAR NO RIO ATÉ DEPOIS DO CARNAVAL



BRASÍLIA - O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, afirmou nesta segunda-feira que as Forças Armadas vão reforçar a segurança do estado durante o Carnaval. Ele também disse que as tropas permanecerão por mais algum tempo, mas não deu prazo. O governador negou que o pedido de ajuda, aceito pelo presidente Michel Temer, seja uma medida de precaução diante da possibilidade de greve da Polícia Militar (PM).

— A gente já tinha pedido há 21 dias. Ainda não tínhamos estipulado o prazo. A Força de Segurança Nacional já está no Rio de Janeiro há três semanas. A gente quer reforçar cada vez mais o policiamento - afirmou Pezão, após audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) para tratar do acordo firmado com o governo federal para socorrer financeiramente o estado.

O governador elogiou o trabalho da PM do Rio.
— A Polícia Militar trabalhou esses dias todos mais de 97% do efetivo da Polícia Militar se desdobrando com jogo do Flamengo, praia lotada, blocos de Carnaval desfilando. É muito difícil fazer esse patrulhamento. E a Polícia Civil, a Polícia Militar estiveram na rua. Agora são períodos difíceis. Tanto que hoje eu pedi ao presidente Michel Temer reforço às Forças Armadas para ajudar nesses próximos (dias) até depois do Carnaval, porque é um período em que a cidade está muito cheia — disse Pezão.

Segundo ele, o efetivo ainda está sendo definido pelo secretário de Segurança Pública do Rio, Roberto Sá, e pelo Comando Militar do Leste, que abrange os estados do Rio e Espírito Santo, e a maior parte de Minas Gerais. 

O governador também anunciou que, mesmo com dificuldade, pagará amanhã a folha salarial de toda a área de segurança.
Questionado se a segurança do Carnaval preocupa, Pezão respondeu:

— Sempre fica tranquilo, mas são mais de 2 milhões de pessoas na rua.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

LUGAR DE SERVIDOR PÚBLICO, AMANHÃ (14), É NA ALERJ

Coluna Esplanada: Privatização da Cedae é balão de ensaio para empreiteiras


Brasília - A privatização da Companhia de Águas e Esgoto (Cedae), no Estado do Rio, é balão de ensaio. Não segue apenas a cartilha do corte de custos. O mercado e investidores estão de olho.

O Planalto quer incentivar os governadores a seguirem o caminho. Quem ganha com isso? As empreiteiras. Em tempos de cerco do MPF e PF nas grandes obras, os empreiteiros procuram novos investimentos e PPP – Parceria Público-Política.
Fonte: O Dia Online


Estado só cortou 7% dos cargos comissionados desde dezembro de 2015
Redução passa longe de meta prometida de 30% de cortes


RIO - Mesmo com o pires na mão para tentar contornar a crise, o governo estadual não fez o dever de casa. Uma das principais medidas de austeridade anunciadas, o corte de 30% dos cargos comissionados que incham a máquina pública, nem chegou perto da meta. De dezembro de 2015, quando os problemas de caixa começaram a se tornar mais graves, ao mesmo mês do ano passado, a redução de cargos comissionados na administração direta foi de cerca de 7%. Em números absolutos, o total de pessoas contratadas nessa modalidade passou de 5.597 para 5.203. E esse é apenas um exemplo.

Entre cargos em comissão diretos e indiretos, o número de funcionários manteve-se praticamente estável, flutuando em torno de 8.500 pessoas. Com os servidores estaduais da ativa e inativos, que desfrutam de estabilidade, as despesas com pessoal se mantiveram altas. O total de funcionários estáveis chegou a ter um ligeiro aumento, de dezembro de 2015 para o mesmo mês de 2016: 0,04%, passando de 466.555 para 466.727. O corte nos gastos de secretarias também ficou bem abaixo do esperado. Comparando as despesas liquidadas em dezembro de 2015 com as do mesmo mês de 2016, é possível ver que muitas secretarias, inclusive, inflaram seus custos.

As propostas de cortes na folha ou no número de comissionados, por exemplo, apareceram antes mesmo da posse de Luiz Fernando Pezão para o atual mandato. Em dezembro de 2015, ele acenou com a possibilidade de cortar em 30% os cargos comissionados. Depois, foi prometida, na primeira versão do pacote de ajuste fiscal, uma redução de 30% nas gratificações pagas a esses funcionários. Em outubro do ano passado, foram vedadas nomeações para cargos que estivessem vagos. E, um mês depois, o governo anunciou, mais uma vez, diminuir o valor das gratificações desses servidores com cargos de confiança ou extraquadros, na ocasião, em 30%.
Fonte: O Globo


SOS BOMBEIROS: Está bem claro para qualquer um ver que não é séria as intenções do governo estadual com suas medidas de "austeridade", corte na carne só do trabalhador. Como o governo está de quatro para Temer e Meirelles, eles querem abrir novos campos de exploração para seus parceiros de campanha, ora empreiteiros, que segundo a matéria nos mostrou estão na mira do MPF.

Por essas e outras, nós servidores não podemos permitir que esse governo sugue até a alma do estado, não deixando pedra sobre pedra para os próximos governos, além de todas essas medidas não resolverem nossos problemas. 

A privatização da CEDAE é só o primeiro passo para posterior golpe fatal no servidor:         

- ALÍQUOTA DE 22% CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA

- TRÊS ANOS SEM PROMOÇÃO

- INTERRUPÇÃO DO REAJUSTE QUE FOI DADO PARCELADO EM 2014 PARCELADO EM 5 ANOS

Por tanto, você está convocado para comparecer na Alerj amanhã (14) a partir das 10h. Dia de votação







Esposas de policiais enfrentam truculência de oficiais

Está na hora dos policiais militares do Rio de Janeiro tomarem uma postura. Ou retiram suas esposas da porta dos batalhões, ou não se comportam como garotos diante seus comandantes, abaixando a cabeça acatando todas as ordens absurdas. Está feio.

Os familiares estão se expondo, sendo humilhados, lutando contra o governo e a omissão dos PPMM.

Ocorrências deste final de semana:






SOS BOMBEIROS: É com todo respeito e consideração que fazemos o alerta. Não dá para continuar na inércia.

VIDA DE PM: DESPREZADOS, DOENTES E COM MEDO



Todos os dias, na hora de sair de casa para o trabalho, Bianca Silva ouve o apelo da filha, de 9 anos. “Mamãe, você vai morrer?”, diz Maria, que, invariavelmente, chora e abraça forte a mãe. “Por que você não escolhe outra profissão?” Bianca é capitã da Polícia Militar do Rio de Janeiro e, desde setembro de 2014, é toda a família que Maria tem. O pai, o capitão da PM Uanderson Silva, foi morto aos 34 anos durante um confronto com traficantes no Complexo do Alemão. Comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Nova Brasília, a mais violenta entre as favelas incluídas no programa, Uanderson foi morto pela bala de um de seus soldados ao ficar no meio do fogo cruzado. Bianca passeava em um shopping quando recebeu a notícia de que o marido havia sido baleado. Antes de ir ao hospital, passou no batalhão para trocar o vestido pela farda, temendo que o ciumento Uanderson reprovasse o traje de passeio. Uanderson morreu antes que ela pudesse vê-lo. “Os danos psicológicos são inevitáveis”, diz Bianca. “O tempo inteiro nós convivemos com o medo de morrer.” Bianca não cogita desistir da profissão, apesar da tristeza da filha, que toma tranquilizantes e é acompanhada por psiquiatras da Polícia Militar.

Bianca e Uanderson se conheceram na academia de formação de oficiais da PM do Rio de Janeiro e trabalhavam na mesma região. Só no primeiro semestre do ano passado, policiais das UPPs do Complexo do Alemão e da Penha estiveram envolvidos em 260 tiroteios, mais de um por dia. Na favela Nova Brasília, o clima entre policiais e moradores é de animosidade. A polícia é tratada como mais um inimigo, não um aliado. Para amainar a situação, no passado Bianca considerou criar um programa de distribuição de presentes no Dia das Crianças. Mas o projeto minguou, segundo ela, pela resistência da população local. “Sentia o medo das crianças em falar comigo”, diz. “Elas crescem com a visão de que o policial é violento.” 


É comum entre os PMs a percepção de que a população sente medo, repulsa e até certo desprezo por eles, como mostra a pesquisa UPPs: o que pensam os policiais, feita recentemente pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes. Para a maioria dos policiais entrevistados, os sentimentos dos moradores em relação a eles são de ódio, raiva, aversão, desconfiança, resistência e medo. O cabo Rodrigo Cunha sentiu isso nas vielas do Morro São Carlos, onde uma UPP foi instalada em 2011. “Existem lugares em que o Estado está lá de intruso”, diz. “Você dá bom-dia à criança e a mãe vem correndo levá-la embora. ‘Não fala com polícia.’ Acham que seria melhor se nós não estivéssemos lá.” Comerciantes se recusavam a vender garrafas de água a Rodrigo e moradores cuspiam no chão quando ele e os colegas passavam.

Barbaridades cometidas por alguns PMs ao longo dos anos, como tortura, agressões, execuções de inocentes e fraudes para camuflar assassinatos a sangue-frio, criaram essa rejeição em parte da população. Para ficar em um exemplo rumoroso, desde julho de 2013 não se sabe o que aconteceu ao pedreiro Amarildo, que desapareceu depois de ser levado para a sede da UPP da Rocinha. Vinte e cinco policiais da unidade são acusados de participar da tortura, morte e do sumiço do corpo. Nesta semana, oito PMs foram condenados. Chagas como essa não apenas não cicatrizam, como contaminam a rotina dos policiais que trabalham direito. ÉPOCA entrevistou militares, levantou estatísticas e teve acesso a pesquisas inéditas sobre a situação-limite em que vivem os policiais do Rio de Janeiro, como mostram os quadros desta reportagem. Os policiais têm índices piores que a média da população de doenças causadas por sedentarismo, sentem-se desanimados, com medo, e usam álcool, remédios e drogas. Os policiais sabem que são malvistos, sentem-se ameaçados e têm muito, muito medo de morrer – justamente por serem policiais.

curso de formação de praças da Polícia Militar do Rio de Janeiro ensina os aspirantes a policial a agir, em todos os sentidos. Há algum tempo, entre as orientações eles aprendem a ocultar a profissão e sobreviver em uma cidade violenta, refratária a eles. Os policiais ouvem que devem usar o carro, em vez do ônibus, para ir trabalhar. Mais: devem esconder a farda no porta-malas ou no banco traseiro, sempre pelo avesso e dentro de um saco escuro. Todos os dias, o soldado Antônio Matsumoto, de 34 anos, passa cerca de três horas no trânsito para chegar ao quartel na Tijuca, na Zona Norte da cidade. Chegaria mais rápido se fosse de trem ou metrô, mas tem medo de assaltos: a farda na mochila pode ser uma sentença de morte, como foi em outubro para o sargento Fernando Monteiro, assassinado a tiros de fuzil quando assaltantes encontraram seu uniforme. Parceiro de Matsumoto no patrulhamento diário, Fábio Terto, de 33 anos, é obrigado a ir de trem para o trabalho. Depois de fardada e armada, a dupla vai de ônibus para o patrulhamento, uma novidade para aproximar os agentes da população. Matsumoto fica de pé na porta perto da catraca, com a mão na pistola, enquanto Terto se posta na porta traseira. A aflição é total. Ninguém olha para ninguém. Como eles, 81% dos policiais acham que vivem “em risco constante”.

TENSÃO CONSTANTE
A dupla Matsumoto e Terto em patrulha. Para eles transporte coletivo só com farda e arma na cintura (Foto: Agencia Sincro)

Além de alertar para a farda, os instrutores do curso de formação preparam os alunos para o pior em termos de autoestima. “Ninguém gosta de você, só seu cachorro!”, diz o instrutor, aos gritos. “A cidade vai odiar você: o porteiro te dá café, a moradora oferece um lanche à tarde, mas todo mundo te odeia, só dá porque você está de farda.” Em vez de aprender o convívio com a sociedade, o policial sai preparado para o confronto. “A PM não é feita para matar, não deve matar, a não ser em absoluta defesa pessoal ou de terceiros”, diz o coronel Robson Rodrigues, até dezembro chefe do Estado-Maior da corporação. “Mas morremos muito e matamos muito.” O Brasil é um dos países com o maior número de policiais mortos em confronto. Em 2014, último ano disponível na estatística, 352 policiais foram mortos no país – só para comparar, foram 96 nos Estados Unidos e apenas oito no Reino Unido. Segundo um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Rio de Janeiro  é o Estado com o maior número de policiais assassinados em confrontos, com 93 em 2013 e 95 em 2014 – um deles, sabe-se, foi o capitão Uanderson, pai de Maria, marido de Bianca.



De acordo com o coronel Robson Rodrigues, o nervosismo dos PMs “aumenta o risco de produzir ações desastrosas”, como a que ocorreu em outubro na Pavuna, bairro da Zona Norte. Um sargento matou a tiros Jorge Lucas Paes e Thiago Guimarães ao confundir o macaco hidráulico que eles carregavam numa moto com um fuzil. Em fevereiro de 2014, dois mototaxistas foram mortos da mesma maneira. Esses casos aconteceram nas áreas dos dois batalhões onde recentemente ocorreram mais confrontos com traficantes, o 41º (Irajá) e o 9o (Rocha Miranda).


O neurocientista mexicano Roberto Mercadillo, da Universidade Autônoma Metropolitana, aponta que o medo, a falta de sono e o enfrentamento constante causam perda de atenção e de memória, tornando as decisões mais lentas e o policial mais hostil e agressivo. “O PM convive com a criminalidade e tem uma arma na cintura. Se está em desequilíbrio emocional, não tem plenas condições de avaliar a situação. No caso dele, é letal”, afirma a psicóloga Patrícia Constantino, da Fiocruz, que conduziu uma pesquisa sobre hábitos e saúde dos policiais. Os estudos mostram, portanto, que um policial nessas condições é capaz de atirar em dois rapazes que carregam uma ferramenta por achar que eles são bandidos armados até os dentes. Infelizmente, há policiais assim nas ruas do Rio de Janeiro atualmente, como mostram as estatísticas expostas nestas páginas.

Arrimo da política de segurança pública do Estado, o projeto das UPPs parecia demarcar territórios onde a harmonia imperaria. Não mais. No decorrer do ano passado, traficantes de áreas em tese pacificadas mataram 12 policiais. Em setembro, bandidos balearam o soldado Bruno Pereira nas costas e arrastaram o corpo preso a um cavalo em Nova Iguaçu, cidade da Baixada Fluminense, uma área sem UPPs. No mês seguinte, Neandro Oliveira, há dois anos na PM, foi baleado e queimado vivo no Morro do Chapadão, na Zona Norte. Casos assim, obviamente, instauram o medo entre policiais. “Nas guerras no Afeganistão e no Iraque, o soldado fica lá um ano e volta para casa”, afirma o comandante do Comando de Operações Especiais, coronel René Alonso. “Aqui são anos sem mecanismo de descompressão ou alívio.” Uma pesquisa da própria Polícia Militar revela que os agentes que atuam nas zonas “vermelhas” das UPPs estão em alto grau de sofrimento mental, medido a partir de um teste da Organização Mundial de Saúde no qual se pergunta ao paciente, entre outras questões, se ele dorme mal, sente-se nervoso e assusta-se com facilidade.


Em setembro de 2014, diante do agravamento da violência, o comando das UPPs criou uma comissão com a incumbência de avisar as famílias de PMs mortos em serviço ou de folga. Foram chamados seis jovens soldados (três mulheres e três homens), com formação em psicologia e assistência social. Eles orientam os parentes das vítimas nas providências mais urgentes, como o velório e o enterro. Nas semanas seguintes, voltam a procurar a família para tomar nota do que ela precisa. “Queremos mostrar que o policial não é só um número em nossa estatística de vítimas”, diz a tenente Silvia Souza. Também faz parte da tarefa acompanhar a recuperação de feridos.

Recentemente, os integrantes da comissão estiveram com o soldado Alexsandro Fávaro, de 35 anos. “Coloque-se no meu lugar e imagine ver a pessoa que você mais ama tendo de trocar sua fralda”, diz ele a ÉPOCA, referindo-se à mulher, Lígia, sua companheira há 17 anos. Na cadeira de rodas, Fávaro se lembra de seu início na UPP. “Moradores nos aplaudiam e gritavam palavras de apoio”, recorda. Mas ele logo percebeu que os aplausos eram só uma forma de alertar os traficantes sobre a patrulha. Fávaro usava estratégias inusitadas. Banhou em ouro o anel de prata com a imagem de São Jorge, pois exibir joias reluzentes é uma característica dos policiais corruptos, os “arregados”, que recebem propina de traficantes. Fazendo-se passar por um deles, Fávaro conseguia se aproximar de criminosos e prendê-los. Em uma investigação, descobriu uma passagem secreta dos traficantes, ao lado de um bar numa das principais ruas do Morro do Fogueteiro. Num sábado, Fávaro e sete policiais montaram uma operação para prender os bandidos, mas foram surpreendidos por 15 homens armados com fuzis, em um beco estreito, sem ter para onde correr. Ele havia passado o fuzil para um colega e tinha nas mãos apenas uma escopeta com balas de borracha. Sacou a pistola, mas, já ferido, caiu no chão. “Quem chegaria primeiro aonde eu estava caído: minha equipe ou os bandidos?” Os policiais o alcançaram antes, mas um dos tiros atingira sua garganta e saíra pelo pescoço, rompendo-lhe as vértebras.





 A PM tem 95 psicólogos que atendem policiais em 26 dos 45 batalhões fluminenses. Em 2014 foram 25 mil consultas, e a corporação pretende contratar mais profissionais em 2016 para atender seus 47 mil policiais. Os médicos e psicólogos trabalham de branco e pedem aos PMs que “troquem a ‘fantasia’ de Super-Homem pela de Clark Kent”, como explica a major médica Rosana Cardoso. Coletes à prova de balas, armas e até a gandola (a camisa da farda) ficam na antessala do consultório dos psicólogos e, em casos mais graves, dos psiquiatras. Mas nem todos conseguem: um cabo do 41o Batalhão sob atendimento psicológico disse a ÉPOCA que não consegue acesso ao psiquiatra – carência admitida pela corporação. “Quase morri em tiroteio e o comandante nem me agradeceu”, diz. “Estou pedindo de joelhos para sair da rua.” Atualmente, 6% dos PMs estão afastados das ruas por problemas de saúde física ou mental. “Policiais não são máquinas de produzir segurança. Sua jornada é exercida em condições adversas e extenuantes. A impossibilidade de expressar e ver acolhido seu sofrimento se transforma em adoecimentos, disfunções cardíacas, insônia, irritação, depressão e outros agravos físicos e mentais”, afirma, em artigo, a pesquisadora Cecília Minayo, da Fiocruz. Obviamente, pessoas nesse estado não estão em condições de cumprir a contento a missão de proteger milhões de cidadãos.